Sempre gostei de serenatas. Fui criado ouvindo meu fazer serenatas embaixo das janelas, La em Iguaraci. Essa música é daquelas canções que, quando se ouve, dá vontade de voltar ao passado, de colocar na cadeira na varanda e ficar observando a lua. É uma coisa linda. É de dois grandes amigos meus: Anchieta Daly e Luiz Homero. Dessa não precisa dizer mais nada, ela já diz tudo.
Trago a sina da estrada
A poeira na fala
A campina é a sala
A várzea é o oitão
E o sempre verde juazeiro
A sombra do terreiro
Amansava o chão
Lembro das saudades boas
Dos versos, nas loas
Que meu pai cantava
No arrastar das roucas
melodias
Toadas, poesias
Para quem chegava
Vem, meu passarim canção
Desmancha a escuridão
Faz rebentar o dia
Vem, troveja o meu sertão
Na rama do feijão
Na cor da melancia
Deito os ói no boqueirão
Pra ver a imensidão
Do gado que pastava
Menina mansa
Estende-se à lembrança
Era a esperança
Que o mundo esperava.